Aquela tarde no solar

Solar

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A magia da criação, a força da energia essencial e criadora, a fonte, a matriz de onde tudo provém pra onde tudo tornará… Cíclico, redundantemente imutável, como solstício e equinócio, o dia e a noite. Um escurecer total, precedido de clareza pura e límpida. Regozijação a quem permeia paz, com retidão e serenidade, ansiando com a certeza inabalável, tudo que trouxe até o momento chamado AGORA… Faz tempo q não saem essas coisas de mim, assim como se nunca houvessem existido, um presente que de mim brotou e em mim se encerrará… Tal qual flecha ungida em palavras de bom grado, que corre pelos céus tanto de noite quanto de dia, a fim de lhe fazer companhia, acertando em cheio os devaneios, pensamentos de receios que insistiam de ti se apossar. Assim me concedeu Ele, mais sorte talvez que aquele, que só em si desejava ficar, mas de cá avareza não há, pois transborda a toda prova, seguindo sempre e tendo em mente, em espírito e em alma, elevação do pensamento que acalma só por um instante imaginar… E nos quatro cantos, pessoas ouviam falar, das palavras que ressoavam aqui e acolá, todas vindas de um mesmo lugar, a evidencia tão transparente, talvez com ar inocente, mesmo no meio de tanta gente, passava desapercebidamente. Porque assim quisera ficar, fazendo questão da voz calar, ansiando, esperando sem hesitar, o exato momento de brotar… Enfim coisas boas assim saiam… Em tudo que tocava, em tudo que fazia, pois, ali desamor não existia, quiçá lembraria, que um dia, indiferença ou injustiça, proferida com tanta desarmonia, tivessem abalado costume indesejado, advindo de íntimo amargurado que por si só se basta e se mantém… Surge outrem, do leste como o sol, trazendo na bagagem vontade maior, que de muitas bocas palavras bem quis e que saíssem motivando sorrir, mas ao contrario foi o que se deu, outrem não abandonou sua jornada, peregrinando mesmo cansada em devaneios, delírios de calor, almejou por balsamo consolador… Eis que vê surgir do sul, contemplou aurora de cor azul, em silêncio fez uma oração, o peito cheio de gratidão, por admirar desígnios da criação, transbordava o quanto era bom, todavia ainda praguejava, por não ter companheiro de jornada. No horizonte, ainda que de longe, a sintonia logo sentiu, mal pode crer quando o viu, e sorriu. Um diálogo de boca fechada, não houve sequer uma palavra, tudo foi dito com o olhar. Assim depois de tanto tempo, madrugadas de tanto tormento, pela primeira vez não se sentiu só, foi o melhor, tão bom assim parecia, algo sublime ali nascia, enchendo o peito de alegria. Ambos em pensamento, olhando pro firmamento, admirando beleza de Gaia e desejando que aquilo tudo não fosse sonho, se fosse que não acordassem, pois vida assim tão singela, como uma pintura em aquarela, colorindo tudo e todos, que perto deles se encontravam. Batizaram então de amor, por ser oposto a toda dor, semente plantada por mãos leves, almejando que se cuide e se regue, Fazendo germinar exótica flor. Pra quando a jornada terminar, para o leste ela vai voltar, levando consigo a lembrança, validada em esperança, daquela tarde no solar….

M.C. 24/04/09

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3 Respostas to “Aquela tarde no solar”

  1. Aline Says:

    Poxa, vc é desenhista, poeta, fotógrafo, tecnólogo da informação, dançarino de samba rock, escritor… parabéns vc realmente é um negro de talento. Parabéns mesmo e sucesso na sua vida…

    PS:. sou a garota que vc visitou esses dias no orkut, Alininha Cafiana

  2. beduinovirtual Says:

    ‘Shikoba’ Aline…

  3. Sol Says:

    muito bom gostei!!
    belas palavras

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